A cena é comum: a agenda de banho e tosa fica cheia, a equipe corre o dia inteiro, mas no fim do mês o caixa não acompanha. Quase sempre o motivo está no mesmo lugar: preço definido no “olhômetro”, sem separar porte, tempo de execução e custo real. E aí o que parece ser estratégia para vender mais vira o caminho mais rápido para vender errado.
Quando você acerta a precificação banho e tosa por porte, você faz duas coisas ao mesmo tempo: protege a margem e organiza a operação. Porte não é só “tamanho do cachorro”. Porte é consumo de tempo, uso de produto, risco operacional, esforço físico e capacidade de encaixe na agenda. Quem precifica por porte do jeito certo para de perder dinheiro nos atendimentos mais pesados e para de brigar com o cliente nos reajustes.
Por que precificar por porte muda o jogo da sua agenda
O maior erro é tratar banho e tosa como um serviço “de prateleira”, com um preço único e pequenas variações. Só que o seu gargalo não é o shampoo, é hora de equipe e espaço de agenda. Um pet grande que ocupa uma baia por mais tempo e exige dois profissionais em parte do processo não pode competir no mesmo preço por “banho” com um pet pequeno que entra e sai rápido.
Na prática, a precificação por porte é uma forma de você transformar capacidade de atendimento em receita previsível. Também reduz conflito de balcão, porque o cliente entende a regra e você consegue manter consistência no WhatsApp, na recepção e no pós-venda.
O que realmente entra no custo de um banho e tosa
Se você só soma shampoo, água e energia, você vai subestimar o custo e vender abaixo do necessário. Banho e tosa é mão de obra intensiva e cheia de microetapas. Para precificar bem, considere pelo menos quatro blocos de custo.
O primeiro é mão de obra direta: banhista e tosador, incluindo encargos, benefícios e ociosidade (sim, o tempo vazio também custa). O segundo é consumo e descartáveis: shampoo, condicionador, hidratante, perfume, laço, algodão, lâmina, toalha, luvas, papel, itens de limpeza da área. O terceiro é estrutura: aluguel, depreciação de secador, soprador, máquina de tosa, manutenção, lavanderia, internet, sistema, tudo que existe mesmo quando não entra um pet.
O quarto bloco é o custo operacional invisível: retrabalho por falhas, tempo de atendimento no WhatsApp, tempo na recepção, cobrança, remarcação, no-show e atrasos que bagunçam o restante do dia. Se você não coloca isso no modelo, você precifica para um mundo perfeito que não existe.
Porte é um proxy. O que você deve medir de verdade
Porte ajuda, mas não explica tudo. Um spitz pequeno pode dar mais trabalho do que um vira-lata médio. Um golden bem cuidado pode consumir menos tempo do que um shih tzu com nós. Então, o melhor jeito de usar porte é como “faixa base”, ajustada por variáveis que mudam tempo e risco.
Na rotina, as variáveis que mais distorcem custo são: pelagem (curta, dupla, longa), condição (com nós, sujo pesado), comportamento (agitado, agressivo, ansioso), idade/limitações e tipo de serviço (banho simples, banho terapêutico, tosa higiênica, tosa na tesoura, desembolo). Você não precisa criar uma tabela gigante, mas precisa deixar claro quais fatores geram adicional – e registrar isso.
Um modelo prático de precificação por porte que funciona
A forma mais segura para não chutar preço é partir do seu custo por hora de operação e encaixar cada porte em um tempo padrão. Assim, você cria uma base objetiva e melhora com dados ao longo das semanas.
1) Calcule o custo hora do seu banho e tosa
Some seus custos mensais do setor (mão de obra + estrutura + despesas do setor). Depois, divida pelo total de horas produtivas do mês. Horas produtivas não são “horas de loja aberta”. São horas que você consegue, de fato, executar serviço, considerando pausa, limpeza, preparação e intervalos.
Exemplo simples: se o setor custa R$ 45.000/mês e você tem 2 pessoas que produzem, somando, 260 horas produtivas no mês, seu custo hora aproximado é R$ 173/h. Não é um número para assustar – é um número para você parar de vender sem margem.
2) Defina tempos padrão por porte e por tipo de serviço
Crie tempos base para banho e para banho + tosa, por porte. Pequeno, médio, grande e gigante já resolvem 80% do problema. O segredo é padronizar o “tempo médio” que cabe na agenda, não o melhor cenário.
Se você ainda não mede tempo, comece simples: marque hora de entrada e hora de finalização em 30 atendimentos por porte e calcule a média. Em poucos dias você já tem um número mais real do que qualquer achismo.
3) Aplique margem com uma lógica de capacidade
Depois de custo hora x tempo, você tem o custo direto do atendimento. Aí entra a margem. Aqui tem um ponto que muda resultado: não pense só em “markup”. Pense em capacidade e demanda.
Se o sábado é seu gargalo, o preço de sábado precisa refletir isso, mesmo que você não cobre “taxa de sábado” explicitamente. Você pode fazer isso com políticas de agenda (ex.: horários premium) ou com pacotes que direcionem o cliente para dias mais vazios. O objetivo é o mesmo: remunerar melhor a hora mais disputada.
4) Estruture adicionais claros e fáceis de explicar
Quando você cria adicional para pelo, nós e comportamento, o cliente aceita melhor se a regra for objetiva e repetível. “Seu pet veio com nós, então entra um adicional de desembolo” é muito mais simples do que negociar desconto toda vez.
O erro é embutir tudo no preço base e depois se irritar quando aparecer um caso pesado. O preço base vira injusto para quem dá menos trabalho e insuficiente para quem dá mais.
Como evitar injustiça com o cliente e caos com a equipe
Precificação não é só número. É processo de atendimento.
Se o seu time tem vergonha de cobrar adicional, é porque a regra não está bem definida ou porque o cliente foi treinado a pedir exceção. Você resolve isso com comunicação curta e consistente: confirmação no WhatsApp já com faixa de preço por porte e aviso de que condição de pelagem e comportamento pode alterar após avaliação na chegada.
Na operação, o que dá estabilidade é registro. Se você não registra porte, pelagem, adicionais e tempo real, você sempre volta para o “chute” no próximo atendimento parecido. Um cadastro bem feito do pet, com histórico, corta discussão e acelera orçamento.
Se fizer sentido para a sua rotina, um sistema de gestão especializado ajuda exatamente aqui: padroniza cadastro, histórico, tabela de serviços e repasse de informações entre recepção e equipe, evitando que a cobrança dependa da memória de alguém. A ZettaPET publica conteúdos práticos sobre isso no próprio blog (https://blog.zettapet.com.br).
Trade-offs reais: preço alto reduz volume? Depende do seu posicionamento
Aumentar preço por porte costuma dar medo por um motivo: “vou perder cliente”. Só que você já perde dinheiro quando vende serviço pesado pelo preço de serviço leve. A pergunta certa não é se vai perder volume, é se vai perder o volume que não paga sua operação.
Se você está em uma região muito sensível a preço, você pode trabalhar com escada: um banho de entrada competitivo para pequeno e médio, e uma cobrança mais correta para grande e gigante, que são os que estouram o tempo. Outra saída é criar planos mensais com frequência, que diluem o impacto de um atendimento mais demorado e aumentam previsibilidade.
O risco de “subir tudo de uma vez” é gerar ruído. O risco de “não subir nada” é continuar com agenda lotada e caixa vazio. O meio-termo inteligente é ajustar com base em dados e comunicar como política, não como improviso.
Sinais de que sua precificação por porte está errada
Se você tem a sensação de que alguns pets “dão prejuízo”, sua tabela já está gritando. Se o tosador vive atrasado, não é só técnica – pode ser tempo padrão subestimado. Se você precisa dar desconto para fechar, pode ser falta de pacote, falta de clareza ou preço base desconectado do valor percebido.
Outro sinal clássico: você vende muito banho, mas não consegue investir em manutenção, treinamento e troca de equipamento. Isso é sintoma de preço que paga o dia, mas não paga o negócio.
O ajuste fino que aumenta margem sem brigar com ninguém
Depois de implementar porte + tempos padrão, o próximo nível é gestão por dados: compare tempo previsto vs tempo real, e ajuste a tabela a cada 30 ou 60 dias. Você não precisa mudar preço toda semana, mas precisa enxergar onde o desvio está acontecendo.
Também vale separar “porte” de “peso”. Porte é uma classificação comercial e operacional. Peso pode ser critério auxiliar, mas não substitui o impacto de pelagem e comportamento. Em muitos casos, a regra mais honesta é: porte define base, pelagem e condição definem adicional.
E não subestime o efeito da organização de agenda. Se você agrupa serviços similares (ex.: tosa na tesoura em blocos), reduz troca de ferramenta e melhora produtividade, você consegue segurar preço sem sacrificar margem. Precificação e agenda são duas pontas do mesmo cabo.
Fechar preço por porte não é sobre criar uma tabela bonita. É sobre fazer cada horário vendido sustentar a sua operação e o seu crescimento – com regras que sua equipe consegue aplicar em um dia cheio, sem improviso e sem desgaste com o tutor.





